Era uma noite de Outono uma leve briza movimentava sacolejava as arvores naquela noite nos arredores de Vila Queda Escarpada. A pequena vila próxima a Queda Escarpada esta calma, quase nenhum habitante circula pelas ruas, todos já aconchegam-se no interior de seus lares, aguardando a chegada do inverno.
Wilbert Gardner e Amélia Gardner, dois carismáticos halflings, brincam com pequeno Haywood Gardner, seu filho recém nascido. Aquecidos pelas brasas crepitantes da lareira e iluminados pelos candelabros do aconchegante ambiente. Protegidos do frio que se aproxima pela circular porta de madeira que os separa da rua.
Ouvem-na bater. Amélia levantou-se do chão e dirigiu-se até a porta. A abriu e sentiu a brisa bater no seu rosto, lhe gerando um breve arrepio. Olhou ao redor e ninguém estava lá. Um choro infantil quebro o silêncio a halfling olhou próximo ao seus pés. Assustou-se. Não sabia como agir. A criança chorava. Wilbert levantou-se, e aproximou-se de Améila que estava estática. Olhou por cima do ombro de sua esposa e avistou. Uma pequena cesta estava ali com uma criança, de idade semelhante ao pequeno Haywood, embrulhada.
Notaram que como eles, não era um halfling. Possuía uma tonalidade de pele cinza-azulada e orelhas alongadas, como as dos elfos. Wilbert abaixou-se e agarrou a cesta, levando a criança para dentro.
Na manha seguinte, o casal, fragilizado pela chegada da criança inesperada, decidiram criá-la, como seu filho. Ivy. Este era o nome do avô de Wilbert, um grande patrulheiro de Vila Queda Escarpada. E este seria a graça do garoto que havia chegado a noite passada. Apesar de não compartilhar da mesma raça deles, seria criado como irmão legítimo de Haywood.
Poucos anos mais tarde, maus rumores tomavam os arredores de Queda Escarpada. Os habitantes comentavam que alguns comerciantes haviam avistado uma horda de orcs rondando a região. Amélia e Wilbert estavam temerosos quando a esta situação. Nem mesmo as autoridades de Queda Escarpada se manifestavam. Wilbert era um guerreiro e Amélia uma druida, confiavam um no outro afim de defender sua casa e seus filhos.
O dia fatídico chegara. O terror tomou conta da pequena vila próximo ao pôr-do-sol. Aquela seria uma noite sangrenta. Alguns habitantes estavam fugindo para Queda Escarpada, afim de se proteger. Poucos soldados estavam ali para defender a vila. Wilbert e Amélia decidiram usar de suas habilidades e ficar para defender o local, mas decidiram colocar as crianças em uma das carroças que partiriam para Vila Queda Escarpada. O casal halfling de despediu dos seus filhos. Dois pequenos garotos que já davam seus primeiros passos. Amélia e Wilbert os beijaram na testa. Wilbert postou junto a carroça um pequeno pergaminho. A carroça partiu. E lagrimas escorreram pelos olhos do casal. Amélia lembrou da noite em que Ivy havia sido deixado em sua porta. Os primeiros gritos dos orcs já eram ouvidos.
A carroça chegara a salvo em Vila Queda Escarpada. Os dois pequenos garotos, tornaram-se indigentes. O dinheiro que Wilbert havia os deixado era pouco e logo acabara. Ivy tornou-se um protedor do seu pequeno irmão Haywood, que apesar de possuírem a mesma idade não possuíam o mesmo tamanho. Ivy era ligeiramente mais alto que Haywood. Viviam nas ruas. Acabavam por terem que apelar por pequenos furtos para sobreviver. Após alguns anos realizando estes pequenos delitos, estavam tornando-se bons naquilo. Ivy havia aprendido que poderia transmutar-se, o que facilitava muito seus roubos. Haywood havia adquirido uma flauta que, havia sido arremessada nos garotos por um comerciante anão que os pegara roubando algumas frutas de sua tenda. Haywood tomava gosto por tocar aquela flauta. Ivy apreciava as primeiras notas arranhadas tocadas por Haywood.
Logo haviam desenvolvido uma técnica de roubo muito eficiente. Haywood tocava a flauta atraindo algumas pessoas que lhe davam alguma gorjeta e Ivy se esgueirava por elas realizando os roubos. Era genial – pensavam. Riam todas as noites relembrando as histórias de seus roubos e das vezes que haviam sido pegos. Viveram muitos anos desta maneira. Ivy já avia se tornado um bardo, e tocava em algumas tavernas. Eram nestas noites que os dois mais lucravam!
Certo dia, Haywood descobre-se doente e resolve sair de Vila Queda Escarpada afim de buscar um tratamento. Ivy ficaria sozinho tomando conta dos 'negócios' de ambos enquanto seu irmão ausentava-se. Haywood partira e Ivy continuava os roubos sozinhos. Ivy decidiu abrir o pequeno pergaminho que seu irmão sempre carregava, e agora havia lhe dado. O pergaminho contava um pouco sobre a família Gardner e dava a localização da pequena vila em que eles moravam. Eram seus pais. Ivy resolveu partir na manha seguinte para encontrá-los.
O sol nasce. Ivy parte até a vila. Em sua chegada, ele não encontra mais do que uma duzia de casas em pé e ruinas. O local estava devastado. Aproximou-se da pequena casa que era descrevida no pergaminho. Abriu a pequena porta circular e o ambiente estava destruído. Algumas raízes e plantas brotavam das frestas das tabuas do chão. A sala circular era dotada de uma lareira, e sobre ela, estava lá. Intocada. Uma espada que lhe chamou muita atenção. Era feita de uma espécie de prata, porém mais resistente. Havia algumas inscrições que ele não intendera. Mas sem dúvida era uma arma e tanto. A pôs em punho e brandiu, simulando alguns golpes. Era fantástica. A guardou consigo. Revirou mais alguns moveis e achou alguns livros com rituais já marcados pelo tempo. Em meio a eles, achou um anel, feito pelo mesmo metal da espada e com inscrições parecidas. Colocou no bolso e seguiu sua busca. Após algum tempo, nenhum outro objeto havia lhe chamado atenção. Deixou o pergaminho lá e partiu.
Em uma noite, Ivy esgueirava-se por uma viela. Planejava roubar alguns pertences de uma residencia na qual ele havia observado por alguns dias. Aproximou-se da janela e olhou para dentou. Assutou-se. Viu um ladino encapuzado efetivando o roubo que ele havia planejado. Se viu furioso. Colocou a mão sobre o punho da Honra, nome que ele mesmo havia dado a espada que achara na casa de seus pais. Esperou o ladino sair. O surpreendeu com uma ameaçada de fincada com a espada. O ladino se esquivou o agarrando. Os dois rolaram no chão. Ivy fora imobilizado pelo ladino.
- O que pensa que está fazendo seu verme? - O ladino questionou, sussurrando com raiva próximo ao ouvido de Ivy.
- Desmascarando um ladrão! - Ivy falou debatendo-se tentando de soltar.
- Desmascarar? E o que fazes por estas vielas esta noite? Acha que me engana?
- Você morrerá! - Ivy nunca havia matado alguém. Era um blefe.
- Sou mais poderoso que você – O ladino transmutou-se a adquiriu a forma de Ivy, aproximando uma adaga de seus pescoso.
- O que? Você também transmuta-se? - Espantado, Ivy jamais havia visto alguém com a mesma habilidade que ele. Transmutou-se também, tomando sua forma original. O ladino o soltou.
- Rá! Vejo que você também é um doppelganger. Vou lhe dar a liberdade por compartilhar da mesma raça que a minha. Somos raros. Mas cuide-se amigo, sempre há alguém mais habilidoso que você.
- Não me venha com lorotas ladino. Este roubo era meu. Não sou seu amigo e eu sei me cuidar. - Ivy acrescentou, com o orgulho ferido.
- Você é ousado mesmo, doppelganger. - O surpreendeu alterando sua forma e avançando rapidamente com um golpe no rosto. Ivy esbraveceu, e tentou acertar-lhe. O golpe tosco rasgou o ar. Tombou, de maneira que ele mesmo não compreendera. Havia tomado uma hábil rasteira. Olhou acima e avistou o ladino com a Honra em mãos, apontando sua garganta.
- Vamos, Arkay! Não se apegue a este indigente! - Uma voz feminina tomou o ambiente. Ivy olhou para cima de um dos telhados. Viu sobre a luz do luar, uma elfa de pele negra como carvão, encapuzada como ele e o ladino Arkay. Arkay largou a espada de lado sobre o peito de Ivy. E virou de costas.
- Sua habilidade é rara doppelganger. Você ainda é jovem e tem força. Se quiser, venha conosco, juntos faremos grande riqueza.
Ivy era sozinho. Nunca havia tido alguém naquela cidade a não ser seu irmão, que agora partira. Cuspiu o sangue da boca e a esfregou sobre o antebraço de maneira tosca. Levantou-se ajeitando a capa. Juntou a Honra do chão e a colocou na bainha, no cinto. Buscou o cantil e deu um gole na vodka. Os seguiu.
Chegaram a um pequeno albergue abandonado, entraram pelos fundos e foram logo ao porão. Ivy se deparou com um ambiente maltrapilho, iluminado por muitos candelabros presos as paredes. O local abrigava um quantidade incontável de artefatos. Armadura, espadas, pergaminhos, arcos... havia de tudo ali. Arkay se apresentou corretamente e explicou o que faziam ali. Eram ladinos. Montavam riqueza sobre os custo dos outros. Ivy também era um, mas nunca havia roubado afim de tornar-se um homem rico, fazia-o por necessidade. Arkay buscou um pequeno baú e o colocou sobre a mesa, em frente a Ivy. Ivy o abriu. Estava recheado de Peças de Platina. Havia uma fortuna ali. Arkay arremessou um Diamante Astral sobre a mesa, ao lado do baú. Surpreendeu-se, Ivy nunca havia visto uma moeda daquelas.
- Vê irmão, este é no nosso futuro.
Ivy acabou tornando-se parceiro de roubo de Arkay. Alguns outros ladinos os auxiliavam em alguns roubos. Ivy nunca havia possuído tanto dinheiro como. Arkay costumava realizar alguns assassinatos durante suas investidas noturnas, característica que não agradava muito Ivy. Iam bem nos roubos, mas planejavam algo maior. Pretendiam se infiltrar em uma noite, na casa de Ozymandias, um tiefling de meia idade, era um dos homens mais ricos de Queda Escarpada. Um comerciante muito bem sucedido que costumava dar festas ocasionais para toda a nobreza da cidade. Aquele seria um grande roubo, fariam muita riqueza, mas proporcionalmente difícil.
Haviam escolhido uma noite, e ela chegara. Foram até a casa do comerciante e se infiltraram, abatendo os guardas e tomando suas roupas e formas. Ao longo dos corredores, Ivy ia coletando alguns objetos, Arkay não coletava nada, parecia ter outro foco. Chegaram ao fim de um corredor. Uma grande porta dupla, feira pro madeira de carvalho, entalhada e decorada com ouro, guardava um outro ambiente. Arkay abriu uma fresta na porta. Ivy olhou para dentro e avistou um grande quarto, com uma cama de casal no centro. Escutou também o ronco do comerciante. Estavam no lugar certo. Arkay entrou e se aproximou da cama. Puxou uma adaga da bota aonde havia escondido, e em silencio, levantou-se para preparar um golpe sobre Ozymandias. Ivy estava se ocultando próximo a um móvel na lateral do quarto. Quando Ivy viu o que Arkay estava a fazer, tentou-lhe chamar a atenção, aquilo não estava planejado, seria um erro.
O golpe fora rápido e certeiro. A adaga se cravou no coração de Ozymandias e ele falecera na hora. Magicamente o corpo do comerciante se decompôs junto com a adaga, que sumira das mão de Arkay. A adaga era mágica. Ivy não compreendera aquilo. Arkay virou-se para Ivy com um sorriso malicioso. Tomou a forma de Ozymandias. Ivy compreendeu. Havia sido traído, por aquele que lhe chamara de irmão. Arkay na forma do comerciante começou a gritar:
- Guardas! Guardas! Há um ladrão aqui! - A esposa de Ozymandias acordou assustada, viu o marido gritando e avistou o ladrão.
Os guardas chegaram. Ivy estava encurralado. Fora pego e espancado pelos guardas. Arkar assistia tudo na forma de Ozymandias. Quando os guardas haviam acabado e lhe tomado os pertences que ele roubaria, Arkay se aproximou. Buscou na cintura de Ivy a Honra, espada que ele carregava como parte de si. E a tomou. Os guardas o carregaram até a rua e o largaram, espancado e sem sua espada, Honra. Naquela noite, um novo Ivy nascerá.
Apesar de ter tornado-se um sociopata, Ivy Gardner, é de tendencia bondosa, uma vez que jamais cometera algum delito vizando prejudicar terceiros. Sua sociopatia lhe lançou em uma constante imparcialidade, não se importando quando aos assutos ‘humanos e socias’, mas nele ainda há uma inconstante bondade.
2.4 Gostos
Ivy Gardner, como já citado, tornou-se um bôemio, pegando gosto pela musica e pela bebida. Tem por hábito beber diáriamente, e sempre que possivel, aprecia o talendo dos bardos por quem crusa. Fuma por inconstantes ocasioes. Gosta do ambiente de uma taverna, por mais maltrapilha que seja.