A Notícia - Parte II

           Parte I

            Quando o sol demonstrava seus primeiros raios do horizonte montanhoso, os homens de Arslan já cavalgavam, em meio ao inverno, o clima havia se tornado mais uma adversidade há sua busca, semanas já tinham se passado desde que partiram, deixando a tribo. Era claro que os homens, já sentiam falta de suas famílias e das iurtas quentes em meio ao inverno, mas estariam sempre ao lado do seu cã, mesmo que ele os guiassem aos portões do inferno, eles permaneceriam ali. Era tarde e os homens apearam para comer, a manhã cavalgando havia sido boa, o tempo aberto lhes permitia grande visão e o ar seco permitia que os animais mantivessem os pulmões cheios de ar.
Arslan andava em meio ao acampamento temporário, aproximando-se de Borte enquanto ela e outras arqueiras cozinhavam carne de cordeiro sobre as pedras quentes de uma fogueira.
            - Minha filha, como é bom tê-la ao meu lado buscando seu irmão – Eram palavras doces de um pai para filha, Arslan havia dito as palavas enquanto passava dos dedo dentre os cabelos escuros da jovem.
            Borte permanecia sentada a frente da fogueira, com um olhar sério e fixo sobre as chamas que assavam a carne.
            - Minha vontade é sua, meu cã. – Borte era uma moça de temperamento forte, e Arslan sabia disto, mas neste momento não queria tê-la como uma guerreira, desejava conversar com sua filha. O cã sentou-se ao lado da moça.
            - Sabe Borte, você é a das melhores guerreiras que eu possuo, tenho muito orgulho por isso. Mas neste momento não desejo conversar com minha guerreira, quero conversar com minha filha. – Sem dúvidas a situação de ter perdido um filho deixará Arslan mais sucessível as emoções familiares, que antes deveriam ser encobertas para não serem vistas como uma fraqueza do cã, que passou a ver seus filhos como guerreiros, e nada mais.
- Pai, eu estou farta disto, tenho raiva de tudo isto, já perdi as esperanças de achar meu irmão!
- Mantenha o foco filha, e concentre esta raiva! Juntos, deixaremos Theokoles e seus homens de joelhos! Você sabe que podemos! Você é a melhor arqueira da tribo, mesmo dentre os melhores homens, nenhum possui tamanha precisão quanto você! Borte, você é invejada pelos homens, não existe mulher mais forte que você nestas planícies, além de excepcional guerreira você possui o comando de outras arquieras!
Arslan era um ótimo motivador, e sabia escolher as palavras certas as pessoas certas, não havia momento em que ele fraquejasse na fala. Borte sorriu, e Arslan pode ver seus olhos brilharem, não soube ao certo se brilhavam devido as chamas da fogueira ou aos seus elogios e motivações, mas soube que ela não fraquejaria mais em frente aos demais guerreiros.
Um grupo cavaleiros se aproximava com velocidade do local aonde os homens comiam, vários levantaram sacando as armas até que Arslan deu ordem para abaixarem as armas. Eram os batedores do cã, voltando de uma ronda, pareciam estar o cã percebeu certa ansiedade nas expressões dos cavaleiros.
- O que trazem homens? – Introduziu Arslan levantando-se do lado de sua filha.
- Senhor, avistamos rastros, cerca de oito homens a cavalo e outros a pé.
- Mas como sabem que estes rastros são de Theokoles?
- Perguntamos a alguns pastores na região, todos confirmaram a presença de um grupo de guerreiros que roubava e matava tudo o que achassem. Não vejo motivos para estes pastores e famílias estarem mentindo meu cã.
- A quanto tempo de distancia estamos deles? – Arslan questionava os batedores sentido seu coração acelera-se de modo incontrolável, possuía uma certeza instintiva que lhe dizia que eram os homens que procurava, e faria estes pagarem pelo ato cometido.
- Acredito que estamos a cerca de trinta luas de distância senhor, mas cavalgando constantemente, podemos alcançá-los com antecedência. – Sem dúvidas Arslan faria seus homens cavalgarem de lua a lua, até a exaustão para estar perto o suficiente de Theokoles a ponto que ele ouvisse sua respiração e sentisse sua espada cortando-lhe a garganta.
- Levem estas informações até Nathanael, para que eu possa discutir uma estratégia com ele á noite.

A noite havia caído há muito tempo, desde então Nathanael não havia saído da iurta do cã, estavam empolgados com a possibilidade de encontrar os mercenários que haviam levado Tridian, passaram horas conversando, a emoção de estar próximo a Theokoles era tamanha que eles haviam se perdido nas horas, e a conversa havia fluido madrugada adentro, até que os dois desmaiassem de sono, satisfeitos pelo esforço realizado não ter sido em vão. Batedores fizeram ronda a noite inteira, além dos guardas que ficavam no acampamento, em postos frente a fogueiras, revezando turnos durante a noite. O cã não podia deixar seus guerreiros vulneráveis a um ataque surpresa, pois alem de Theokoles e seus homens, outros grupos mercenários ainda vagavam em meio às planícies, mesmo que fossem derrotados pelas forças das tribos, alguns ainda não haviam encontrado as laminas dos filhos das planícies.
Arslan fizera os homens cavalgaram toda a manhã, sem descanso já pareciam fraquejar até mesmo alguns dos melhores guerreiros já deixavam as expressões de exaustão surgir nos rostos. Os dias de cavalgada estavam fadigando seus homens, mas o cã precisava encurtar a distância entre eles e Theokoles. Seguiram a tarde cavalgando, e neste momento Arslan sabia que os dias de esforço haviam encurtado a distância para duas ou três luas, seus batedores relatavam estarem cada vez mais próximos da preza, enviava batedores constantemente a leste, direção de aonde vinham os relatos de avistamento do grupo de Theokoles.
Borte ajeitou-se sobre a cela de sua égua enquanto observava fixamente o horizonte, tinha este costume, o olhar fixo e enigmático sobre as coisas buscando algo que somente ela saberia, neste momento sua expressão era indecifrável. Em um piscar de olhos a jovem guerreira avistou um grupo de quinze ou vinte cavaleiros carregando estandartes que ela não soube reconhecer. Imediatamente levou uma mão a cela aonde seu arco estava preso e a outra em sua aljava buscando uma flecha, tamanha destreza da moça que nenhum comando precisou ser dito para que as outras arqueiras repetissem o movimento de Borte. No mesmo instante Arslan gritou ordens para seus homens e não foi necessária a intervenção de nenhum homem de confiança para organizar os guerreiros, sua voz era firme, e ecoou em meio à imensidão da planície. O grupo de guerreiros avistado por Borte não tinha sido visto por seus batedores, bufou de raiva e xingou em pensamentos achando que estava dando foco demais a Theokoles e os deixando vulneráveis a outros grupos atacantes. Nathanael estava montado em sua égua quando se aproximou do cã em silencio, esperando algum comando,
- Você reconhece o estandarte? – O cã precisava de uma confirmação de Nathanael sobre a possibilidade de serem emboscados por outros grupos mercenários, pois sabia que não seriam atacados por outras tribos já que estas estavam unindo-se para expulsar os invasores.
- As cores indicam que são da capital senhor. – Nathanael permanecia sério com os olhos fixos nos homens que se aproximavam.
- São os homens de Theokoles? – Arslan perguntava mantendo o olhar sobre os homens no horizonte, com uma expressão semelhar a de Borte, e Nathanael soube que moça herdara tal habilidade do pai, que no momento, apesar do rosto frio, sentia a ansiedade por encontrar Theokoloes, mesmo que não o fosse, combateria estes fantasiando a batalha que faria o homem que capturou seu filho sangrar.
- Os mercenários de Theokoles são desgarrados das tribos, não possuem estandarte, andam como uma serpente disfarçada em meio a grama alta, estes são homens de algum nobre da capital.
            A distância entre eles diminuía a ponto que os homens de Arslan cavalgavam excitados com batalha que se aproximava. Os inimigos possuíam armaduras completas, escudos e lanças, todos gravados com o mesmo símbolo que era mostrado no estandarte, permaneciam em formação enquanto o cã fazia seus homens cavalgarem levando seus cavalos ao máximo, Borte e suas arqueiras já disparavam a morte com seus arcos, uma flecha seguida da outra, atingindo escudos e armaduras fazendo homens caírem nas primeiras fileiras. Os homens guiados por Arslan já giravam suas armas no ar, gritando e xingando os oponentes enquanto alguns outros já atiravam lanças em direção a formação dos mercenários.
            A formação era compacta e, todos se protegiam com escudos enquanto algumas lanças se projetavam das fretas. Estavam em maior número que os homens do cã, e eram comandados por um único homem.
            - Alto homens! Mantenham a posição e esperemos eles se aproximarem. – Sua voz era forte e rouca, Aardez era um homem alto de cavanhaque, uma cicatriz marcava-lhe o rosto iniciando-se na maçã do rosto, a altura do nariz, cruzando o olho e encerrando-se na testa. Apesar da grande escarra Aardez não havia perdido o globo ocular, e podia enxergar perfeitamente.  Seu físico era forte e bem protegido por uma armadura completa, enfeitada com detalhes em ouro, o arco longo destacava-se em suas costas, era um homem de meia idade, mas possuía uma experiência espantosa em combate.

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